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Um levante contra o racismo a partir da obra da poetisa negra Maya Angelou

por | nov 20, 2021 | Destaque Home, Notícias | 0 Comentários

O poema “Ainda assim eu me levanto”, da poetisa, professora e ativista negra Maya Angelou, pseudônimo da norte-americana Marguerite Ann Johnson, foi publicado em Nova Iorque, em 1978, com o título original ‘Still I Rise’.

O brilhante e potente recorte de mundo trazido no texto, faz um resgate das tantas atrocidades cometidas contra pessoas negras, tendo o genocídio dessa parcela da população citado como exemplo pela autora, para dizer que apesar de tudo, das tantas dores sentidas por ela e por todos cidadãos e cidadãs negras no norte da América e no mundo inteiro, ainda assim ela não se curvou, sempre se levantando.

Pensar hoje, 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares, no levantar proposto pela professora Angelou como uma espécie de mobilização diária por uma educação antirracista e contra o racismo, é o pedido que nós, da Gestão Lutar e Vencer! do SINDJUD-PE gostaríamos de fazer para todos e todas. Com o desejo de que essa reflexão e levante antirracista seja praticado não somente neste mês simbólico, mas ao longo de todo o ano, e por toda a vida. E o principal: que possamos romper as barreiras das redes sociais. Ampliando as discussões no ambiente de trabalho, em casa, em qualquer lugar.

Entender que não basta somente ser contra o racismo, mas que também precisamos ser antirracistas nas atitudes individuais e coletivas, é um ponto extremamente importante para que nós possamos, juntos e juntas, transformar a inaceitável realidade racista que infelizmente ainda está entre nós, e que insiste em desumanizar e apagar a história, o legado e o futuro de pessoas negras.

Por fim, convocamos todos e todas a participarem da Marcha da Consciência Negra, neste sábado, com concentração a partir das 14h na Praça do Carmo, área central do Recife. Vamos juntos e juntas, e com as cabeças e os ombros erguidos, de pé, lutar contra o racismo.

Abaixo, confira a íntegra do poema “Ainda assim eu me levanto”, da Maya Angelou.

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto

SINDJUD-PE
Gestão Lutar e Vencer!

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