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A educação antirracista como estratégia diária de enfretamento ao racismo na sociedade

por | nov 16, 2021 | Destaque Home, Notícias | 0 Comentários

O papel da Educação na vida das pessoas é libertador. A educação é um dos principais agentes de transformação e construção das individualidades, influenciando também na maneira com que cada indivíduo vai enxergar e se relacionar diante das particularidades coletivas no convívio em sociedade.

Quando se pensa em Educação, o ambiente escolar é certamente o mais familiar a ser lembrado, e essa associação acontece pelo fato de a escola proporcionar um dos primeiros contatos dos seres humanos com as diferenças. E essas diferenças são múltiplas, e se manifestam de maneiras distintas: classe social, idade, religião, cor da pele e tipo de cabelo, e muitas outras.

As discussões em torno do racismo no ambiente escolar, por exemplo, são e podem ser construídas de formas diversas: por meio de uma aula de história que remonta as injustiças e crueldades cometidas contra a população negra escravizada no Brasil e no mundo; de um filme em uma aula de sociologia que aborda as marcas deixadas até hoje como consequência das centenas de anos de escravidão; de um debate em sala de aula que questiona o porquê de a garantia de direitos e preservação da população negra após a abolição da escravatura não ter sido uma política de Estado; e até mesmo num seminário de língua portuguesa que aborda palavras e expressões racistas que dever sumir do nosso vocabulário no dia a dia.

As formas de discutir o racismo e os seus impactos na vida de pessoas negras e na sociedade de uma forma geral, são plurais. E entender como essa problemática se comporta até os dias de hoje, pensando sobre os estigmas que foram e ainda são estruturalmente impostos, é parte do processo da educação antirracista. Que não só aponta o racismo como um problema maior, mas que faz o caminho da raiz do problema, para apontar como as desigualdades se comportam hoje quando fazemos o recorte de raça.

Mas esse tipo de discussões, que nos levam ao caminho do enfrentamento ao racismo por meio de uma educação antirracista não se limita aos muros das escolas. E nem deve. Nas universidades, no ambiente de trabalho, nos espaços de lazer e entretenimento, e até mesmo na sala de jantar, com a família e os amigos, esse debate precisa estar presente, porque se trata de uma construção diária.

A educação antirracista também consiste em evidenciar as conquistas e legado de personalidades negras atuantes nas mais diversas áreas do saber, das ciências, das artes, levando as suas produções de conhecimento e potencialidades para o centro da opinião pública. Essa é também uma forma de fazer com que a população negra possa ser protagonista da sua própria história, com as suas próprias vivências e percepções do mundo. As tirando de uma margem à qual o racismo insiste em colocá-las todos os dias, e fazendo com que elas sejam percebidas, ouvidas, que se tornem referência e inspiração.

Questionar o porquê de uma produção audiovisual não ter pessoas negras atuando e até mesmo compondo a equipe de bastidores, é consequência de uma educação antirracista. Questionar o baixo percentual de parlamentares negros e negras eleitos durantes as eleições, é resposta à uma educação antirracista. Sentir desconforto ao ver que uma sala de aula com 50 alunos tem apenas duas pessoas negras, é resposta à uma educação antirracista. E vai muito além. Porque a educação antirracista não só nos faz questionar, como também nos leva à enfrentar questões como estas, para que nós possamos, juntos e juntas, tranformar a nossa sociedade em um lugar mais justo.

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