O Sindjud PE realizou a primeira de suas atividades formativas no último dia 22. Em alusão ao mês da mulher, a instituição promoveu um debate com o tema “Os desafios da mulher no mundo do trabalho”, que contou com a participação da assistente social e doutoranda pela UFPE, Leidiane Souza, e da pedagoga do TJPE e chefe do departamento de relações intersindicais do Sindjud PE, Ana Carolina Lôbo. A mediação ficou por conta da vice-presidente do Sindjud PE, lotada na 1ª vara de violência doméstica e familiar contra mulher da capital, Mariana Figueiroa. O debate tratou das dificuldades históricas das mulheres ocuparem cargos de gestão, dos desafios para a conciliação entre maternidade e mercado de trabalho e quais papeis são relegados para as mulheres na atual conjuntura.
De acordo com Leidiane Souza, é muito importante que os sindicatos abram espaço para a discussão dessa pauta em um cenário de retrocesso. “Os sindicatos têm sido espaços muito atacados, desde as primeiras movimentações da reforma trabalhista. Estar em um sindicato em 2019 é um ato de resistência. O conjunto das categorias nem sempre reconhecem esse espaço como de decisão e deliberação”, afirma. Em sua fala, Leidiane ressaltou o fato de que nas novas modalidades de patronato, a forma como alguns mecanismos têm aparecido no trabalho têm colocado desafios para mulheres, como por exemplo a não ocupação igualitária dos espaços no mercado em comparação aos homens.  
“A força de trabalho das mulheres nem sempre é legal, nem sempre é regulamentada, como por exemplo o trabalho doméstico, que é uma força historicamente exercida por mulheres negras. Regulamentar esse trabalho foi revolucionário. Não tivemos um estado de bem estar social, somente alguns poucos avanços que estão sendo desmontados agora, pois quem subsidia os direitos trabalhistas no mundo todo é o Estado, porém ele sempre se coloca como amigo do capital. Essa reforma trabalhista tem um público alvo, que são os jovens (que precisam trabalhar e estudar) e as mulheres”, concluiu.
Segundo Ana Carolina, muitas mulheres se sentiram encorajadas a dar seus relatos assim que foi anunciado o tema do debate formativo. “Muitas vezes a discriminação é mais visível no serviço privado, mas no serviço público não é diferente”, explicou. Ela ressaltou que a mulher que trabalha enfrenta uma série de desafios para se manter ativa no mercado. “Carga mental, acúmulo de serviço doméstico com o serviço formal no mercado de trabalho. Quem planeja a rotina da casa, que se responsabiliza pelo funcionamento da família é a mulher e esse trabalho é tão invisibilizado que só é percebido quando não é executado”, finalizou.