Ridículo! Não há outra palavra para tal. Todos os dias, ao ler o diário de justiça eletrônico, vejo vários editais disponibilizando vagas de remoção para o servidor. Edital, via de regra, deveria ser sinônimo de oportunidade e democracia.
Oportunidade esta que às vezes vem acompanhada de uma melhoria salarial temporária quando se trata de uma função gratificada (aquela que, todos sabem, não incide na contribuição previdenciária, nem se “leva” para a aposentadoria) e democracia por abrir concorrência leal ao permitir que todos possam ter a chance de morar mais perto do seu trabalho, da sua família e/ou da faculdade. Faculdade esta, vale salientar, que se torna obrigatória pelos requisitos imorais da nossa “progressão”. MAS, não é o caso.
Nestes editais sempre têm, no primeiro parágrafo: “desde que tenham a anuência, por escrito, do gestor da unidade” e isso inviabiliza qualquer possibilidade ou interesse do servidor. Na prática, não há seleção. É edital para inglês ver. O ato de publicar, é tornar público o absurdo, o imoral, o desleal…

O compositor recifense Igor de Carvalho afirma em uma canção que: “precisamos de mais pontes e não de muros”. No caso, a ponte que nos liga à dignidade são os verdadeiros editais, aqueles em que a concorrência é baseada em critérios objetivos, dignos e justos. Os muros são a ausência deles. Já viajei por um ano entre as cidades de Triunfo e Afogados da Ingazeira, um edital me salvou do que, infelizmente, não o salvou o colega servidor Edson Lima Ribeiro que residia em Serra Talhada/PE e trabalhava em Flores/PE. Nesse caso – da divisão das varas cíveis – o interesse foi em benefício do próprio TJPE. Sem aquele edital, talvez o meu destino fosse o mesmo do colega Edson Ribeiro lotado em Flores. Está na hora no tribunal pensar em nós, pensar no outrem, não só em si próprio como sempre tem sido. Minha singela homenagem e meu luto aos familiares, amigos e parentes do querido Edson Ribeiro.

GIUSEPPE MASCENA